Manifesto

Diante ao cenário político em que nosso país se encontra, as manifestações estão cada vez mais constantes. Diferentemente da época da ditadura, hoje o direito à livre expressão nos dá a oportunidade de manifestarmos de várias formas, mas as mais utilizadas são através de mídias sociais. Impulsionados pelos manifestos das ruas, as pessoas se sentem livres para demonstrar o seu apoio e sua inconformidade pela atual situação, porém existe o outro lado da moeda, gerando aquele famoso conflito entre “coxinha” e “mortadela”, no qual a posição mais conservadora afirma que tais protestos são formados por pessoas desocupadas, agindo de maneira anárquica e que tais manifestos não surtiram qualquer tipo de efeito no cenário político e que irão atrapalhar as pessoas que realmente querem fazer algo para mudar nosso país. Por outro lado, a ideia de protesto surge do pressuposto de que temos a força suficiente para conseguirmos mudar nosso país e, que se continuar de braços cruzados, dando risada deste deplorável cenário, afeta principalmente a porção pobre de nosso país.

Como visto, várias reformas que estão sendo propostas e implementadas no Brasil, mas tais mudanças irão afetar negativamente a atual geração e as que estão por vim. Com esta premissa, movimentos sindicais trabalhistas se mobilizam contra tais reformas, chegando ao consenso de que para conseguirem neutralizar tais reformas seria através da greve geral, assim com toda mão de obra parada seria uma forma de o governo ver o poder que o trabalhador possui dentro da esfera econômica de nosso país. Como os protestos, a greve também é vista pela parte conservadora como ferramenta de auto favorecimento, no qual o trabalhador está apenas aproveitando para ficar ocioso e que desta forma nada irá mudar.

Pegando a parte legal de tais manifestos, de acordo com a constituição brasileira, o direito ao protesto está garantido constitucionalmente perante três direitos dentro do artigo quinto da Constituição Federal. Liberdade de expressão é a livre manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato. Liberdade de reunião: todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente”. Liberdade de associação: “é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar”. Para o direito de greve fica garantido pela Constituição Federal em seu nono artigo, competindo-lhe a oportunidade de exercê-la sobre os interesses que devam por meio dele defender. É totalmente legítimo o exercício de greve, com a suspensão coletiva temporária e pacífica, total ou parcial, de prestação de serviços, quando o empregador ou a entidade patronal correspondente tiverem sido pré-avisadas em setenta e duas horas, nas atividades essenciais e quarenta e oito horas nas demais.

A questão proposta é de atentar as pessoas que acham que tais movimentos possuem caráter pessoal e que estão lá apenas para causar qualquer tipo de conflito ou atrapalhar a vida das pessoas, mas é o contrário; estas pessoas estão lá “brigando” pelos nossos direitos que estão sendo infringidos e que querem um país melhor para esta e pelas futuras gerações. Se toda a população não abraçar a causa e conseguir enxergar que nosso país está em plena calamidade pública, tais mudanças não conseguirão prosperar. A voz do povo tem força, uma passagem na grande obra de Alan Moore em V de Vingança, “o povo não deve temer seu estado, mas o estado deve temer o seu povo”.

Referências: Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 V for Vendetta. Moore, Alan

Foto: Mayara Toyama

 

 

Escritor da semana – Stephan Araújo Costa

Diretor de Qualidade da Alfa Pública Júnior

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