Corrida Armamentista do século XXI

A ideia do armamento civil nasce das brechas de segurança pública presente na sociedade brasileira. Dizer que um cidadão estaria mais seguro por portar uma arma de fogo é equívoco, visto que o fator que estaria sendo trabalhado na sociedade é o medo, e não a questão da segurança em si.

Os defensores do armamento alegam que com a revogação do Estatuto do Desarmamento, os criminosos por estarem cientes dos perigos que correm ao tentar realizar um ato infrator, não o fariam por medo da retaliação da vítima. Aqui nasce um equívoco, tendo como princípio que por estar com medo e acuado, o criminoso seria muito mais cruel e implacável em sua abordagem.

Outro fator a ser levado em conta, são as estatísticas e estudos que mostram que os bandidos são muito mais violentos quando as vítimas reagem ou demonstram qualquer tentativa de movimentos bruscos. A Folha de S. Paulo, em 2009, realizou um levantamento de 56 casos de latrocínio (assalto seguido de morte) na Grande São Paulo (capital e região metropolitana) ocorridos em 2008. Desse número, 75% desses crimes foram resultantes de reação da vítima. Em 2013, na capital paulista, um levantamento da Veja São Paulo revelou que, de 45 boletins de ocorrência de latrocínio entre janeiro e o início de junho daquele ano, em 25 deles foi registrado que a vítima tentou reagir e foi morta por isso. No Rio Grande do Sul, no primeiro semestre de 2016 foram registrados 89 latrocínios, segundo a Secretaria de Segurança Pública daquele estado. Desses delitos, o delegado Emerson Wendt, chefe da Polícia Civil, apontou que “em 73% dos casos do primeiro semestre, a vítima esboçou algum tipo de atitude interpretada pelos criminosos como reação”. No estado do Rio de Janeiro, foi apontado pelo jornal O Dia, a partir da ocorrência de mortes de vítimas em assaltos entre janeiro de abril de 2016, que os policiais militares, incluindo os que estão de folga, correm um risco 125 vezes maior de serem assassinados nesse tipo de crime do que cidadãos comuns. Comentando essa estatística, o vice-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, professor Renato Lima, revelou que os dois fatores decisivos para esse perigo extremo são a maior suscetibilidade de policiais em folga a andarem armados e reagirem à tentativas de roubo e o risco de serem identificados como policiais. O delegado Jorge Lordello, em entrevista ao jornal Zero Hora, do Rio Grande do Sul, relatou que 90% das vítimas que reagem a assaltos à mão armada são baleadas, morrendo ou não por causa disso. O que se conclui diante desses casos, é que numa realidade de armamento civil, as pessoas estariam correndo um risco muito maior de serem vítimas fatais ou de ser gravemente feridas.

O que tende a acontecer é cada vez mais pessoas inocentes morrerem movidas pela falsa sensação de segurança proporcionada pelas armas, sendo que, muitas dessas pessoas não tem treinamento e muito menos psicológico numa situação de pressão para utilizar tal instrumento.

Uma sociedade pacífica não é algo fácil de ser alcançado, ainda mais tendo como pressuposto que a violência e a criminalidade nascem das mazelas da desigualdade social. Medidas para a correção desse problema, certamente, não é uma coisa imediata, e sim uma questão a ser trabalhada por um longo prazo. Mais uma coisa é certa: armar inocentes é matá-los mais rápido do que eles já morrem hoje.

Escritora da semana – Agatha Alessandra Bahia Colares

Trainee na Assessoria de Vendas da Alfa Pública Júnior

Deixe uma resposta

Tamanho da Fonte
Auto Constraste