Como o jeitinho brasileiro contribui para a corrupção do dia a dia

Segundo pesquisa realizada pela entidade Transparência Internacional, o Brasil no ano de 2016, ocupou a posição 79º de 176 países do ranking dos países mais corrutos do mundo. Esta pesquisa leva em consideração o entendimento que a população tem sobre corrupção envolvendo políticos e servidores públicos. Essa colocação atribuída ao Brasil é reflexo dos vários escândalos atuais cujo cenário é a politica e órgãos públicos. Os brasileiros já estão saturados de tantos crimes e desvios de verbas e por esse motivo estão desacreditados da política e dos atores que a formam. Apesar de toda essa insatisfação do povo diante tantas manobras criminosas, será que os brasileiros podem ser considerados uma nação tão inocente?

De acordo com a definição do dicionário online, corrupção refere-se a: “Ação ou efeito de corromper. Ação ou resultado de subornar (dar dinheiro) uma ou várias pessoas em benefício próprio ou em nome de outra pessoa; suborno. Utilização de recursos que, para ter acesso a informações confidenciais, pode ser utilizado em benefício próprio. […]Desvirtuamento de hábitos; devassidão de costumes; devassidão.”Apenas por essa definição já conseguimos imaginar situações variadas que exemplificam cada uma dessas denominações. Furar a fila do cinema ou do banco; utilizar de informações privilegiadas concedidas por um conhecido para uso de benefício próprio; subornar um policial em uma blitz porque o pneu do carro estava careca; perceber que recebeu um troco a mais na padaria e ficar calado… Essas e muitas outras ações cotidianas não só ilustram, mas também contribuem para o acontecimento da corrupção de cada dia.

Especificando nossas atitudes diárias, pode-se dizer que essas ações pertencem a cultura do famoso jeitinho brasileiro, ou seja, um forma de se conseguir algo mais fácil e/ou rápido. Esse jeitinho constitui a maneira pela qual os brasileiros usam de sua criatividade para improvisar e resolver possíveis problemas rotineiros. A autora Livia Barbosa em seu livro “O jeitinho brasileiro: a arte de ser mais igual que os outros”, defende que o jeitinho pode ser caracterizado ora como favor, ora como corrupção. Nesse sentido, ela diz que existem dois polos, sendo o favor positivo e a corrupção o negativo, e o que determinará se a atitude é positiva ou negativa vai depender da situação e das pessoas envolvidas.

Apesar de todo esse lado “obscuro” da população, o jeitinho brasileiro é formado também por outras características – criatividade, flexibilidade e inovação- que tornam a população singular em todo o mundo. Por esse motivo, ao invés de se juntar aos políticos de conduta duvidosa, devemos rever nossas atitudes diárias de em prol de uma sociedade mais ética, honesta e com participação mais ativa e consciente para que a corrupção diminua gradativamente. Assim, mesmo que pensemos em longo prazo, estaremos construindo um país mais justo, ético e transparente.

Fonte:

https://www.transparency.org/country/BRA

https://www.dicio.com.br/corrupcao/

 

Escritora da semana – Carolina Santos
Assessora da Diretoria de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas na Alfa Pública Júnior

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